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Português Prático – Dicas que ficam

Olá, se você tem dúvidas em relação ao uso do Português Prático (e quem não tem, não é mesmo?), aqui será o lugar certo para que você possa fazer suas pesquisas.

Usaremos uma linguagem fácil e objetiva nas explicações, para que nossa comunicação seja perfeita e suas dúvidas sanadas.

Nossa primeira dica será sobre o uso dos porquês.

Como e quando usar as formas por que, porquê, por quê e porque.

 Quer ver como é fácil?

  • Perguntas = por que
  • Respostas = porque
  • Perguntas no fim das frases = por quê
  • Substantivo = (o) porquê

“Por que” separado

O “por que” separado sempre pode embutir a palavra ‘razão’ ou a palavra “motivo”.

Isso vale para perguntas diretas – “Por que você não foi?” transformando-se em: “Por que razão você não foi?” e “Por que você não pagou a conta?” em: “Por que motivo você não pagou a conta?”

E também para frases terminadas com ponto final – “Você sabe por que eu ajo assim”. Podemos transformar em: “Você sabe por qual razão eu ajo assim”. Ou “Você sabe por qual motivo eu ajo assim”.

“E existe ainda um outro ‘por que’ separado”.

 “Lembra aquela música? ‘Só eu sei as esquinas por que passei’, lembra?”.

Com esse exemplo, o “por que” também é separado quando equivale a “pelo qual”, “pela qual”, “pelos quais”, “pelas quais”.

No caso da música, a letra também poderia ser: “Só eu sei as esquinas pelas quais passei”.

“Porque” junto

O “porque” junto é uma conjunção que indica causa, motivo, justificativa ou explicação.

Um exemplo: “Eu não fui porque estava doente”.

Assim posto, “Porque estava doente” é a oração que indica a razão pela qual ele não foi.

Nesses casos, o “porque” é junto e sem acento.

Com isso, é possível existir “porque” junto mesmo em frases que terminam com interrogação, como esta: “Será que ela está chateada comigo porque eu não fui ao aniversário dela?”

Recomendamos tentar trocar o “porque” junto por “pois”. Se der certo, está correto o uso do “porque” junto.

“Por quê” separado com acento

O “por quê” separado e com acento é um “por que” separado localizado antes de uma pausa na fala ou na escrita.

É preciso que haja uma pausa, um ponto final, um ponto de interrogação, ou uma vírgula.

Exemplo: “Meu coração não sei por quê, bate feliz quando te vê.” Pixinguinha

 É o mesmo que perguntar “Por qual razão?”, “Por qual motivo?”.

Os alunos do curso de Direito perderam o ônibus ontem, por quê?

Esse “quê” vira tônico na entonação. Assim, quando há um “por que” separado encerrando uma frase, ele ganha o acento e passa a ser “por quê”.

“Porquê” junto com acento

Nesse caso, o “porque” vira sinônimo da palavra “motivo”, e fica substantivado.

O professor exemplifica: “Qual é o porquê de tanta tristeza?”.

É o mesmo que perguntar “Qual é o motivo de tanta tristeza?”.

Vem sempre antecedido por um artigo (o) ou um pronome (este).

Este porquê justifica sua atitude.

Viram como nossa língua não é complicada?

Tá bem, eu concordo: é um pouquinho mais complicada que a Língua Inglesa, por exemplo,que tem apenas duas formas: Why para perguntas e Because para respostas. Mas também podemos dizer que nossa língua portuguesa, a última flor do Lácio, é muito linda, não concordam?

E para encerrarmos, já que falamos em “última flor do Lácio”, trazemos o belo poema de Olavo Bilac, que faz referência a isso para que melhor compreendam o porquê.

Língua portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Olavo Bilac

Autora: Profa. Dra. Heloisa Helou Doca: Graduada em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1993), Mestra e Doutora em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Tese de doutorado em Literatura Comparada (norte-americana). Atua como docente da Universidade de Marília.

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Publicado por em 18 de março de 2020 | 1.016

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